O Mar. O Amor. A Morte
Olhos marejaram como que
convocados quando a encenadora Luciana Lyra trouxe como proposta termos como
condutor de nosso processo nada menos que o Mar.
Por meio da peça Capataz de Salema, do poeta e dramaturgo
pernambucano Joaquim Cardozo, do estudo
complementar de Senhora dos afogados
de Nelson Rodrigues e da peça Electra
enlutada, de Eugene O’neil, a Formação 13 em seu quarto ano na Escola Livre
de Teatro embarcou nessa viagem com um destino em comum e os caminhos ainda por
serem descobertos.O Mar que navegamos é o grande símbolo da dinâmica da vida,
da morte, da transformação, do renascimento, do coração humano. A missão
primeira foi rasgar-se, buscar-se, encontrar-se, cultivar a alma, encontrar a
verdade dentro de si, sussurrando, pedindo pra sair. Ser dentro de si cada vez
mais pleno e íntegro, expandir os espaços internos, de forma que sendo em cena,
sejamos não outro, mas uma face de nós - bonança, mar alto, agitado, calmo,
ressaca - podemos ser tudo e ainda mais. Segundo Joseph Campbell, o amor é “a
agonia que traz a morte”. Buscamos durante todo o processo vivenciar,
compreender o lado obscuro do amor, o abismo que é entregar-se, o abismo que é
o outro – um sempre jogar-se no desconhecido. Foi essencial que cada um mergulhasse
nas suas próprias memórias, amores, afetos, perdas, mortes e renascimentos
pessoais, buscando a face mítica de cada uma dessas experiências. Cada um de
nós é Luzia, é Capataz, é Sinhá Ricarda, é Mar... Cada um é em si, sendo em tudo.
Cia. Luzia de Teatro
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