terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Mar. O Amor. A Morte



Olhos marejaram como que convocados quando a encenadora Luciana Lyra trouxe como proposta termos como condutor de nosso processo nada menos que o Mar. Por meio da peça  Capataz de Salema, do poeta e dramaturgo pernambucano Joaquim Cardozo,  do estudo complementar de Senhora dos afogados de Nelson Rodrigues e da peça Electra enlutada, de Eugene O’neil, a Formação 13 em seu quarto ano na Escola Livre de Teatro embarcou nessa viagem com um destino em comum e os caminhos ainda por serem descobertos.O Mar que navegamos é o grande símbolo da dinâmica da vida, da morte, da transformação, do renascimento, do coração humano. A missão primeira foi rasgar-se, buscar-se, encontrar-se, cultivar a alma, encontrar a verdade dentro de si, sussurrando, pedindo pra sair. Ser dentro de si cada vez mais pleno e íntegro, expandir os espaços internos, de forma que sendo em cena, sejamos não outro, mas uma face de nós - bonança, mar alto, agitado, calmo, ressaca - podemos ser tudo e ainda mais. Segundo Joseph Campbell, o amor é “a agonia que traz a morte”. Buscamos durante todo o processo vivenciar, compreender o lado obscuro do amor, o abismo que é entregar-se, o abismo que é o outro – um sempre jogar-se no desconhecido. Foi essencial que cada um mergulhasse nas suas próprias memórias, amores, afetos, perdas, mortes e renascimentos pessoais, buscando a face mítica de cada uma dessas experiências. Cada um de nós é Luzia, é Capataz, é Sinhá Ricarda, é Mar... Cada um é em si, sendo em tudo.
Cia. Luzia de Teatro


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